Artistas gaúchos se reúnem para debater Lei de Incentivo à Cultura

  • Por Marcelo Ferreira / Vida no Sul Produções
Encontro aconteceu no gabinete da presidência da Assembleia Legislativa do RS (Foto: Caco Argemi/ALRS)

Dezenas de artistas gaúchos se reuniram, na manhã desta quarta-feira (20/12), para debater alterações na Lei de Incentivo à Cultura (LIC). O encontro aconteceu no gabinete da presidência da Assembleia Legislativa do RS, reunindo músicos, compositores, poetas, representantes do cinema, das artes cênicas e produtores culturais na reivindicação por mudanças na legislação que facilitem o acesso e fomentem o mercado interno, partindo da proposta de reservar parte dos recursos da LIC para empresas e artistas do Rio Grande do Sul.

Durante o encontro, diversas manifestações apontaram os anseios da classe artística do Rio Grande do Sul. Um ponto em comum foi a necessidade de união para fortalecer o segmento. Para o compositor e escritor Rodrigo Munari, um dos idealizadores do encontro, juntamente com o gabinete do deputado Edegar Pretto e da produtora Vida no Sul, o mercado artístico no Rio Grande do Sul não se sustenta e precisa ter incentivos melhores distribuídos. “Por isso estamos aqui hoje, para desenvolver ações possíveis para fomentar nosso mercado, que só se desenvolve com dinheiro. Se o dinheiro privado é usado a gosto dos empresários, com o dinheiro público é diferente, é para todos”, destacou Munari.

A ideia também foi defendida pela produtora de cinema Mariângela Grando, ex-presidente do Conselho Estadual de Cultura. Para ela, a LIC, que foi aprovada em 1996, envelheceu e hoje é de difícil acesso e mal distribuída. “Somos formadores de mão de obra, geramos empregos. A LIC deve fomentar o profissionalismo e fazer com que o mercado ande por si, e não ser objeto de mendicância”, disse Grando, que sugeriu ainda a criação de um fundo com perspectivas de reembolso para grandes eventos.

Representando o Vida no Sul, David Stival, recordou as origens do programa que hoje encontra-se em recesso. “O Vida no Sul aconteceu a partir da união de artistas em torno de um projeto cultural comum. Por 10 anos que o programa se manteve no ar, buscamos fazer desse espaço em rede nacional também um lugar para discutir o tema e dar apoio aos artistas”, relembrou Stival. Já para o cantor, compositor e apresentador do programa, Antônio Gringo, “atualmente a lei é um sistema que privilegia poucas pessoas. Por isso a importância da classe artística se unir, a exemplo dos movimentos sociais”.

Apoiador da classe artística, o presidente do parlamento, deputado Edegar Pretto (PT), sustentou ser fundamental a criação de medidas que tenham caráter de política de estado e não de um governo. “Entre as várias pautas tratadas no encontro ficou claro não ser justo que eventos financiados com dinheiro público dos gaúchos e gaúchas tragam apenas nomes de fora ou que apresentem poucos artistas do Rio grande do Sul. O que gostaríamos, e isso será buscado, é que no mínimo 50% dos recursos públicos aplicados sejam direcionados para a contratação de artistas do nosso estado”, destacou.

Após as manifestações de diversos presentes, no final do encontro, foi constituído um Grupo de Trabalho com representantes de distintos segmentos artísticos, que no começo de janeiro deve retomar os encontros para então reunir as propostas citadas e organizar os encaminhamentos junto ao legislativo estadual. Também ficou definida a constituição de uma rede de informações para ampliar a articulação da classe artística do estado e a realização de uma reunião do GT com representantes da secretaria da Cultura do RS, quando deverá ser apresentado um balanço dos últimos três anos da LIC.

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Fotos: Caco Argemi/ALRS

 

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